Dá uma "entregadinha" aí, meu!



Vivêssemos em uma sociedade decente, o assunto não deveria nem ser tema de discussão. Porque aceitar que o time do coração "entregue" o jogo para prejudicar um rival é como  tolerar o suborno a um político, ou que um policial receba o chamado "arrego" do tráfico.E, pior, pelos olhos dos jogadores, seria como se alguém achasse que você professor, por exemplo, recebe favores sexuais daquela aluna bonitinha, em troca de nota. É trapacear, é duvidar do caráter de pessoas, me perdoem se extrapolei nos termos.

E não venham com a conversa de que o futebol é apenas um esporte. Não, infelizmente não é. O futebol é um fiel retrato do mundo, da selva em que habitamos. É, porque o vândalo que briga no estádio é aquele mesmo cara, aquele mesmo pária que não sabe respeitar as regras de convivência no cinema, no trabalho, na faculdade, ou na escola. Sinto muito, parceiro, a "Lei de Gérson" tão popular nos campos, ultrapassa a fronteira das quatro linhas e está aí, bem agora, do seu ladinho, prejudicando sua família e, por vezes, destruindo sua vida.

Todo esse depoimento amargurado não está aqui à toa, é claro. Ele surge do que será, depois da próxima rodada do Brasileirão, o assunto da moda, garanto.

Nas jornadas de número 36, 37 e 38, os ponteiros do campeonato irão a campo duelar contra rivais regionais de seus concorrentes ao título. O Fluminense encara São Paulo e Palmeiras, "desafetos" do Corinthians, que por sua vez pega  o Vasco,  "inimigo", olho nas aspas, do Tricolor Carioca, enquanto o Cruzeiro ainda vê pela frente batalhas contra o Verdão, o Cruz-Maltino e o Rubro-Negro da Gávea. Polêmica para mais de metro, concordam?

Ressaltemos, estivéssemos em uma era onde o próximo fosse respeitado, nada disso precisaria ser escrito. Somente o profissionalismo dos atletas e o bom senso dos torcedores tornariam-se condições suficientes para garantir a lisura dos momentos decisivos do torneio. Porque me recuso a crer que algum esportista conseguiria olhar para um filho depois de entregar uma partida.

Lógico, há certos atenuantes, explicativos de uma possível queda de rendimento das equipes envolvidas no futuro, não tão distante, imbróglio. Sem maiores interesses, é provável que quem joga no São Paulo e no Vasco não entre em campo com motivação igual a dos aspirantes ao título. E motivação, sabemos, é diferencial em qualquer setor de trabalho.

Já o Palmeiras dispensa comentários. Voltado à Sul-Americana, Felipão deve escalar, se passar pelo Atlético-MG, um onze formado por reservas nas últimas partidas. Totalmente aceitável, pois além de ser uma conquista internacional, a competição continental garante uma vaga na Libertadores de 2011.

E até a C.B.F poderia dar uma pontinha de contribuição à competitividade de seu produto. Pense só, quando o cidadão vai ao cinema, ele quer ver o filme na melhor qualidade de imagem, certo? E quando leva a namorada para jantar, o ideal é que o cardápio seja de ótima qualidade, não? Por que não exigir então que os clubes, prestadores de um serviço pelo qual são remunerados, "poupem" suas melhores peças apenas em casos justificáveis?

Como não, perdoem, me esqueci. Os clubes de futebol não são tratados como prestadores de serviço. Aliás, o futebol é um mundo à parte, onde vale tudo. O futebol é nossa válvula de escape. É o jogo onde podemos "roubar", burlar normas, é a terra sem lei. Se for a meu favor, eu aceito gol de mão, em impedimento, e de pênalti inexistente. Ah, então que se exploda a moral, dá uma "entregadinha" aí, meu!

Abraço!
Por Roberto Junior

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