A vida não se resume a futebol.


Era um Festival da Canção, o ano não sei ao certo. No palco, Geraldo Vandré se preparava para cantar "Para não dizer que não falei de flores - Caminhando", canção símbolo dos anos de chumbo no país. Ensandecida, a multidão protestava contra o resultado do evento, pois, ao que parece, o preferido Vandré perdera o "título" para uns jovens chamados Tom Jobim e Chico Buarque.  Sereno, Geraldo pedia calma a seu público. Que a plateia respeitasse a decisão dos jurados e, afinal de contas, a vida não se resumia a festivais. Assim como, hoje, não se resume a futebol.

O Corinthians, paulista de nascimento, mas de fãs espalhados por todo país, merece a grande festa que se transformou seu centenário. De torcida apaixonada, com ótimos resultados recentes dentro e fora de campo e um ídolo de expressão mundial no elenco, o clube de Parque São Jorge tem é de comemorar intensamente o século de vida. Parabéns ao Timão!

No entanto, nem tudo são flores. E o problema não é apenas do aniversariante do dia, é essencial ressaltar. Aconteceria com QUALQUER agremiação do país, tenho certeza.

A propaganda é uma das principais armas criadas pelo ser humano. Mais poderosa e destrutiva que mil ogivas nucleares. A propaganda, quando utilizada para fins maléficos, não derruba prédios ou mata soldados, mas aniquila mentes, torna a massa alienada.

Desde seu anúncio, a realização da Copa de 2014 por aqui é cercada de polêmicas, boa parte delas focadas em cima da utilização de dinheiro público na construção e reforma de estádios. Sendo assim, era necessário domar o povo. "Conscientizar" o cidadão comum de que um evento desse porte seria saudável, não só para o crescimento do Brasil, mas, sobretudo, para a completa estruturação de nossos times de futebol. Sim, pois que se exploda o mundo, mas meu time seja campeão, tô nem aí.

A estratégia foi brilhante, reconheço. Mais que uma torcida, uma Nação, uma República Popular. Milhões de vítima perfeitas para servirem de cobaias para o plano engenhoso.

O fiel corinthiano possui pleno direito de estar radiante com sua futura nova casa. Até porque, convenhamos, deve ser ter sido duro aturar a gozação de palmeirenses e são-paulinos durante longos anos. Todavia, será que esse mesmo fiel corinthiano pode se dar ao luxo de ver vários centavos de seu pagamento serem dispendidos no erguimento de uma arena? Será que os muitos fidelíssimos corinthianos gostaram de ver seu momento de alegria transformado em um escancarado comício eleitoral?

"A vida não se resume a festivais", a vida não se resume a futebol.

A vida é feita de saúde de qualidade, de boa educação, de emprego farto, de segurança e de outros tantos substantivos tão ausentes da gramática da sociedade brasileira na atualidade.

Mas que os amigos corinthianos não me levem a mal. A crítica não é a vocês, assim como o ônus não é de vocês. Parafraseando Ernesto Cardenal, na "Oração por Marilyn Monroe", neste mundo contaminado de pecados e radioatividade, não culpemos tão somente uma empregadinha de loja. O que mata de raiva é ver gente tratando gente como animal irracional.

Boa tarde e um abraço a todos!    




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