Até quando?


Nas costas, o pai carregava contente a filhinha de uns 8 anos de idade. Na mão esquerda, se não falha a memória, não reparei bem, uma vistosa caneca de cerveja refrescava as ideias, depois de uma semana de muito trabalho, provavelmente. No restante da arquibancada, uma bonita festa. Bandeiras a tremular e belos cantos sendo vigorosamente entoados, em clima de muita paz. Espetáculo que tornou, para esse blogueiro, um jogo entre os pequeninos alemães St. Pauli e Hoffeinheim mais atraente que o duelo do poderoso Manchester contra o West Ham, na tarde de um sábado do mês de agosto.

Não tem jeito. Embora, a cada temporada, tentemos achar argumentos que permitam rivalizar o futebol jogado no Brasil com o praticado em gramados europeus, o fator organização acaba por transformar uma legítima pelada em um show tão grandioso quanto os clássicos disputados por aqui.

Pois bem, se você discorda, repare com atenção nas primeiras linhas desse texto e reflita. Qual foi a última vez que você levou, com tranquilidade, seus pimpolhos ao estádio? Quando foi o derradeiro momento em que o senhor, apreciador de uma loira gelada, pode se deliciar com meia dúzia de latinhas durante a peleja de seu time? Por fim, qual foi a última vez, torcedor paulistano, que tu conseguiste empunhar o pavilhão de sua paixão naquele jogo importante? Há um bom tempo, não é verdade?

O Brasil, infelizmente, resolveu partir para o caminho, à primeira-vista, mais simples: o da proibição total. Sim, porque censurar, pelo menos para quem tem preguiça, é muito mais fácil do que educar. Assim, as autoridades competentes optaram por institucionalizar a violência, por aceitar sua presença, não apenas no esporte, mas no cotidiano da sociedade em geral.

Contudo, nos atenhamos apenas ao futebol, nessas breves(?) palavras.

Ontem, continuei a refletir sobre a justificativa da CBF para o fechamento total do Maracanã, já a partir do dia 8 de setembro. Recaptulando, a Confederação de Ricardo Teixeira afirmou que os entulhos das obras do "Maior do Mundo" poderiam servir de armas para vândalos em eventuais confrontos. E, no momento, dei razão aos cartolas.

No entanto, pensando bem, nem eu, nem você, ou qualquer brasileiro tem direito de concordar com tal desculpa, sabe por que? Bom, eu explico. Ao apoiarmos atitudes assim, de certa maneira, assinamos nosso atestado de "sem educação".

Primeiro, os caras te proibiram de tomar sua cervejinha, mas, em suma, quiseram dizer que você não sabe beber e se comportar. Depois, foi a vez de cercearem seu direito de levar bandeiras e sinalizadores, porque, para eles, você colocaria, literalmente, fogo nas arquibancadas e quebraria a cabeça de seus adversários Agora, nem aquele palavrãozinho inofensivo eles querem te deixar gritar. Sim, para as autoridades você, cidadão correto, é tão perigoso quanto à minoria que vai aos estádios para arrumar confusão.

Até quando, amigos? Até quando seremos, e nos permitiremos ser, enquadrados na vala comum desses criminosos que impedem nosso santo direito de acompanhar o futebol de perto? Bom, enquanto esse dia não chega, eu vou assistir ao segundo-tempo do jogo...

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