Minha Copa inesquecível.


Não é pela quantidade de lembranças.

Como eu era apenas uma criança de 6 anos em meados de 1986, não as tenho em grande número. No entanto, a diversidade e intensidade das emoções que essas poucas sobreviventes me trazem são mais do que suficientes para que eu afirme, sem dúvidas, que a segunda Copa realizada em solo mexicano foi a minha inesquecível.

O primeiro jogo que me recordo a ter assistido foi Dinamarca e Uruguai. Extasiado, o menino RJ testemunhava um massacre nórdico sobre a Celeste Olímpica.

Coisa linda.

Nada contra os vizinhos sul-americanos, mas era deliciosamente divertido ver Laudrup, Elkjaer Larsen e Morten Olsen destroçarem com requintes de crueldade futebolística a camisa que nos maltratou em 1950.

Da primeira fase, ainda guardo outros grandes momentos. A surpreendente vitória de Portugal sobre a Inglaterra, o petardo do brasileiro Josimar contra a Irlanda do Norte e o afirmar do gênio de Maradona não tardaram a se misturar à rotina televisiva, regada a Sítio do Pica-Pau Amarelo, Formiga Atômica, Corrida Maluca e Pirata do Espaço.

A partir da oitavas então, a saudade só faz aumentar.

Dieguito fazia gol antológico e também gol de mão, o craque soviético Belanov, em vão, marcava 3 vezes contra a Bélgica de Eric Gerets, Jesper Olsen abria o placar que o espanhol Emílio Butragueño tratou logo de virar contra a Dinamáquina quebrada, um tal de Lothar Matthaus salvava a Alemanha com um gol de falta na bacia das almas contra o Marrocos e Zico, ah! o Galo, perdia um maldito pênalti diante do goleirão Bats, em um jogo, para mim, repleto de simbolismos.

Acho que era uma tarde, se não falha a memória. Churrasco e família reunida.

Minha aposta no bolão para ver quem faria o gol da vitória brasileira foi no corinthiano Biro-Biro, que nem do grupo fazia parte. Como os amigos percebem, meu entendimento de futebol melhorou um pouquinho de lá para cá.

A partida era quente.

Careca coloca o time de Telê na frente após linda "tabelinha do Brasil" com Müller, conforme narrou José Carlos Araújo.

Não sei de que jeito confessar as palavras a seguir, mas naquela altura eu torcia para que a França empatasse.

Como na Fórmula 1 vibrava por Alain Prost, pensei que não houvesse mal nenhum em torcer para Michel Platini no futebol. Ledo engano. Quando Fernández converteu a penalidade que despachou o Brasil de volta tive que ser escoltado até o quarto para não apanhar e até hoje possuo fama de "do contra", da qual morro de rir.

A Copa do México não acabava ali. Ainda havia espaço para o último ato de um gênio. A Argentina abrira 2 tentos de vantagem, mas no "chuveirinho" - palavras de Osmar Santos - a Alemanha, então Ocidental, chegara à igualdade, que Maradona, pelos pés de Burruchaga tratou de desfazer, na última cena viva da minha Copa inesquecível.

É uma pena que o tempo não pare...

Boa tarde e um abraço a todos!


Por Roberto Junior


3 comentários:

  1. O único jogo que vi até hoje dessa Copa foi Argentina x Inglaterra, e foi mesmo um jogão.

    Como nasci em 84, não pude acompanhá-la. Minha Copa inesquecível é a de 94. Não sei se porque foi a primeira que acompanhei, mas ficou marcada demais. Me lembro de cada detalhe.

    Excelente texto, RJ!

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  2. Grande RJ, imagina se vc tivesse visto a copa de 78, saimos invictos da Argentina, eliminados porque compraram o time peruano. Ou mesmo a de 82, com aquele timaço do telê. O Santos de hoje lembra um pouco aquela seleção pela facilidade de jogar pra frente e pela alegria do jogo. Mas tinha deficiencias na defesa, o que acabou sendo fatal. Desta copa de 86 tenho guardado na memória o jogo da eliminação do Brasil. Primeiro porque no dia do jogo estudava em Guaratinguetá - SP, e vinha do onibus para casa, nesta altura o jogo já tinha começado, imagina minha ansiedade. Cheguei em casa no finalzinho do primeiro tempo. O jogo empatado e penalti para o Brasil. Zico, sem condições, vai para a cobrança e errou. Fomos para a decisão por penaltis e perdemos, quanta raiva passei naquele dia! Enfim lendo seu post relamente me vieram a mente várias lembranças, inclusive daquele timaço da Dinamarca. Foi a copa do Maradona, por isso para mim está longe de ser a inesquecível. Abraço!

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  3. É... essa Copa não deu pra acompanhar... na verdade, a primeira Copa que eu acompanhei mesmo foi a de 94. Pé quente, hein...

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