SCHUMACHER WHO?


Após o GP da China, disputado nesta madrugada (no Brasil), em Xangai, pode tornar nítida nossa visão acerca do Mundial de 2010 de F-1 e ajustar melhor nossas opiniões, passada esta primeira fase com as quatro primeiras provas, de um total recorde de 19 em uma temporada que promete muito equilíbrio. Primeiro, claro, o destaque vai para o desempenho do atual Campeão Jenson Button, vencedor de dois dos quatro primeiros GPs do ano. Desprezado pela própria crítica inglesa, que considera Lewis Hamilton um piloto com melhores atributos que Button, este vem dando nas pistas, as respostas aos seus críticos, mostrando que o Campeonato vencido em 2009 não foi fruto do acaso, e sim de maturidade e precisão, de um piloto que definitivamente entra na briga pelo título, assumindo a liderança do Campeonato de 2010 e suplantando seu companheiro Hamilton tanto nos treinos, como nas corridas. Button, definitivamente jamais dará os “shows” que Hamilton proporciona, porém possui um estilo de pilotagem tão suave e seguro, que só tem um rival que o suplanta neste quesito na F-1 atual, Fernando Alonso, que tem tido problemas com o motor da sua Ferrari, e se recuperou de forma exemplar após uma punição por ter queimado a largada. Alonso sempre foi preciso e regular, e possui em seu currículo 15 pódios consecutivos, marca superada apenas pelo “Rei dos Números”, Michael Schumacher, que ostenta 19 pódios consecutivos, para enfeitar a sua já recheada galeria de recordes absolutos.


Fernando Alonso já havia demonstrado suas habilidades no último GP na Malásia, em Sepang, quando correu sem embreagem toda a corrida e foi traído pelo motor no final da corrida quando tentava ultrapassar Button. Felipe Massa não vai ter vida fácil com o espanhol, e a ultrapassagem de Alonso sobre Massa na entrada dos boxes no GP da China, é apenas um "aperitivo" do que está por vir na disputa entre os dois. O nível de competitividade imposto pela F-1 contemporânea, em nada se assemelha aos tempos de Juan Manuel Fangio e Stirling Moss, e nela não existe espaço para o cavalheirismo dos tempos românticos da F-1. Felipe já havia bobeado na largada do GP do Bahrein, em Sakhir, e agora “deu mole” para Alonso na entrada dos boxes do GP da China. Felipe corre contra um companheiro-adversário que possui um “handicap” superior, tanto na forma de conduzir o carro quanto na estratégia de corrida. Felipe possui uma arma importante, que é sua convivência mais longa e íntima com a Ferrari, mas não pode permitir que o “Príncipe das Astúrias”, Dom Fernando, tome conta da situação e ganhe a preferência e os privilégios da Ferrari. Mas falando sério, e sem “patriotada", a missão de Felipe Massa para superar Fernando Alonso é das mais difíceis, salvo quando a McLaren o preteriu, favorecendo explicitamente Lewis Hamilton, um piloto novato, brilhante e promissor, que jogou fora um título que estava todo em suas mãos. Alonso jamais teria perdido o título de 2007, que cai do céu para Raikkonen.


Voltando um pouco para a Inglaterra, quem vocês acham que é o "maior piloto inglês de todos os tempos"? Seria o Bicampeão Graham Hill, ou os Campeões Nigel Mansell, Lewis Hamilton e Jenson Button? Acreditem, o maior piloto inglês de todos os tempos, nunca foi Campeão! Stirling Moss, teve o azar, ou talvez o privilégio de correr com Juan Manuel Fangio, como ele próprio costuma dizer. Dono de quatro Vice-Campeonatos consecutivos, Stirling Moss é o único piloto da história da Fórmula-1 que conseguiu classificar-se entre os 3 primeiros em 7 temporadas consecutivas. De 1955 a 1958 foi vice-campeão e de 1959 a 1961 foi terceiro colocado no campeonato. Stirling Moss é considerado o melhor piloto inglês de todos os tempos e o melhor piloto não-campeão da história da Fórmula-1. Pois bem, Stirling Moss hoje com 80 anos, continua sua vida automobilística como comentarista e nos presenteou com algumas pérolas, no mínimo interessantes. Admirador confesso de Fangio e Senna, nunca escondeu sua preferência pelo argentino, principalmente pelo fato do nível das disputas da época serem mais éticas e cavalheiras. Comentou que Senna teria um comportamento diferente, caso pilotasse em sua época e minimizou o retorno de Schumacher à F-1, inclusive alertando que ele estaria colocando em risco sua reputação. Acrescentou que Schumacher nunca teve um “número 2” que de fato colocasse seu desempenho em cheque, sem citar os privilégios de seu contrato, que impediam que houvesse uma sombra.


Stirling Moss acredita que um “número 2” (ou parceiro se preferirem) em pé de igualdade, revela a verdadeira face do legítimo Campeão, o que não deixa de ser verdade em duplas como Lauda-Prost, Piquet-Mansell, Senna-Prost, só para citar alguns. Hoje temos Button-Hamilton e Alonso-Massa. O que ninguém esperava no meio automobilístico, e, este que vos escreve acreditava exatamente no cenário atual, é que Schumacher encontraria tamanha dificuldade de adaptação, e o pior, que teria em pé de igualdade um “número 2” como Niko Rosberg, e pior ainda, que tomasse um “baile” do mesmo. Quando Moss foi Vice-Campeão pela terceira vez, tinha 28 anos e Fangio 46! Salvo as proporções tecnológicas de épocas tão distintas, fica evidente que Schumacher não sabe, nem nunca soube lidar com uma situação adversa. Não quero aqui menosprezar seu brilhante histórico, mas há de se lembrar as passagens “negras” que Schumacher traz junto consigo, ou será que todos já se esqueceram de suas “vigarices"? Schumacher foi aclamado em sua volta, como salvador da F-1, como foi dito por Ecclestone, Lauda e outros. Na verdade foi uma "jogada de marketing", em meio à crise. Hoje, Schumacher deve estar se perguntando por que voltou. Claro que muita água vai rolar e posso até queimar minha língua, mas duvido que Schumacher dispute o título. Niko Rosberg vence de 4 X 0 nas largadas e tem 50 pontos contra 10! Schumacher foi sem dúvida, um dos maiores expoentes que a F-1 já viu, mas agora...


No raciocínio de Stirling Moss, apesar de Schumacher contar com bom equipamento (vide os 50 pontos e a vice-liderança de Niko Rosberg), os favoritos para ele são Fernando Alonso e Sebastian Vettel . Em minha opinião, esta lista deve ser bem maior, e teremos talvez um dos campeonatos mais disputados e com mais candidatos ao título talvez de toda a história. Temos quatro Campeões com chances (eu não sou louco de descartar o Schumacher, afinal faltam 15 GPs), três Vice-Campeões, onde Vettel e Massa vão disputar palmo a palmo. Então vejamos, temos Alonso, Button, Hamilton, Massa, Vettel, sem contar Rosberg, Webber e é uma pena que o Kubica não tenha um carro que esteja no mesmo nível dos outros. Com a F-1 neste nível, com pilotos diferenciados como poucas vezes se viu na história deste esporte, Schumacher escolheu o pior momento para voltar. Será que a idade pesa tanto? Fangio foi Campeão com 46. Será que o tempo afastado atrapalhou tanto? três campeões se afastaram e voltaram e conseguiram vencer. Lauda ficou por dois anos afastados, de 1979 a 1981 e precisou de apenas duas corridas para se adaptar e voltar a vencer. Dois anos depois se consagraria Tricampeão, em 1984. Prost se afastou por um ano e retornou para ser Tetracampeão. Mansell foi para a Indy em 1993, ficou campeão e voltou à F-1 após dois anos. Foi pole e venceu, aos 41 anos, no controverso GP da Austrália de 1994, onde Schumacher conseguiu seu primeiro título após jogar o carro sobre Damon Hill.


Hoje a realidade é outra e Schumacher foi “saco de pancadas” na China. Vai ser difícil ele conseguir dormir hoje... Ah! Só para acrescentar, nosso GRANDE Emerson Fittipaldi, que deteve por 33 anos o recorde de ser o Campeão mais jovem da história da F-1, até ser superado por Fernando Alonso, foi o primeiro brasileiro a vencer as 500 milhas de Indianápolis em 1989 aos 42 anos, foi Campeão da Fórmula Indy no mesmo ano e voltou a vencer as 500 Milhas de Indianápolis em 1993 aos 46 anos. Só para efeito de registro, Emerson Fittipaldi deixou a Fórmula-1 em 1980 e ingressou na Fórmula Indy em 1984. Schumacher sem a menor dúvida é o “maior piloto de todos os tempos... NOS NÚMEROS”! E SÓ... Tem Fangio, Moss, Clark, Stewart, Fittipaldi, Lauda, Villeneuve, Prost, Piquet...



E OLHA QUE EU NEM CITEI O NOME DE SENNA...



Confira o resultado final do GP da China:

1 - Jenson Button (ING) McLaren-Mercedes 56 voltas em 1h44m42s163
2 - Lewis Hamilton (ING) McLaren-Mercedes a 1s530
3 - Nico Rosberg (ALE) Mercedes a 9s484
4 - Fernando Alonso (ESP) Ferrari a 11s869
5 - Robert Kubica (POL) Renault a 22s213
6 - Sebastian Vettel (ALE) RBR-Renault a 33s310
7 - Vitaly Petrov (RUS) Renault a 47s600
8 - Mark Webber (AUS) RBR-Renault a 52s172
9 - Felipe Massa (BRA) Ferrari a 57s796
10 - Michael Schumacher (ALE) Mercedes a 1m01s749
11 - Adrian Sutil (ALE) Force India-Mercedes a 1m02s874
12 - Rubens Barrichello (BRA) Williams-Cosworth a 1m03s665
13 - Jaime Alguersuari (ESP) STR-Ferrari a 1m11s416
14 - Heikki Kovalainen (FIN) Lotus-Cosworth a 1 volta
15 - Nico Hulkenberg (ALE) Williams-Cosworth a 1 volta
16 - Bruno Senna (BRA) Hispania-Cosworth a 2 voltas
17 - Karun Chandhok (IND) Hispania-Cosworth a 4 voltas


Não classificados:


Jarno Trulli ITA Lotus-Cosworth a 30 voltas/abandono
Lucas di Grassi BRA VRT-Cosworth a 48 voltas/mecânico
Pedro de la Rosa ESP Sauber-Ferrari a 49 voltas/motor
Sebastien Buemi SUI STR-Ferrari a 56 voltas/acidente
Kamui Kobayashi JAP Sauber-Ferrari a 56 voltas/acidente
Vitantonio Liuzzi ITA Force India-Mercedes a 56 voltas/acidente
Timo Glock ALE VRT-Cosworth a 56 voltas/mecânico



Classificação final do Mundial de Pilotos após 4 de 19 corridas (em pontos):


1 - Jenson Button (ING) McLaren-Mercedes: 60
2 - Nico Rosberg (ALE) Mercedes: 50
3 - Fernando Alonso (ESP) Ferrari: 49
4 - Lewis Hamilton (ING) McLaren-Mercedes: 49
5 - Sebastian Vettel (ALE) RBR-Renault: 45
6 - Felipe Massa (BRA) Ferrari: 41
7 - Robert Kubica (POL) Renault: 40
8 - Mark Webber (AUS) RBR-Renault: 28
9 - Adrian Sutil (ALE) Force India-Mercedes: 10
10 - Michael Schumacher (ALE) Mercedes: 10
11 - Vitantonio Liuzzi (ITA) Force India-Mercedes: 8
12 - Vitaly Petrov (RUS) Renault: 6
13 - Rubens Barrichello (BRA) Williams-Cosworth: 5
14 - Jaime Alguersuari (ESP) STR-Ferrari: 2
15 - Nico Hulkenberg (ALE) Williams-Cosworth: 1
16 - Heikki Kovalainen (FIN) Lotus-Cosworth: 0
17 - Sebastien Buemi (SUI) STR-Ferrari: 0
18 - Jarno Trulli (ITA) Lotus-Cosworth: 0
19 - Pedro de la Rosa (ESP) Sauber-Ferrari: 0
20 - Bruno Senna (BRA) Hispania-Cosworth: 0
21 - Timo Glock (ALE) VRT-Cosworth: 0
22 - Kamui Kobayashi (JAP) Sauber-Ferrari: 0
23 - Lucas di Grassi (BRA) VRT-Cosworth: 0
24 - Karun Chandhok (IND) Hispania-Cosworth: 0


PRÓXIMA CORRIDA



GP DA ESPANHA



BARCELONA



09 DE MAIO


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