Pode ou não pode?


Em dezembro do ano passado, o inglês Wolverhampton teria, na sequência, dois adversários de forças bem distintas.
Em jogo válido pela 17ª rodada do Campeonato Inglês, os Wolves enfrentariam nada menos que o poderoso Manchester United e no compromisso seguinte duelariam contra o também pequenino Burnley, rival direto na luta contra o rebaixamento.
Ciente da missão quase impossível que seria vencer os Diabos Vermelhos, o treinador Mick McCarthy praticamente entregou os pontos, escalando uma equipe formada quase em sua totalidade por reservas, para o confronto diante dos comandados de Sir. Alex Fergusson.
A ideia era simples. Poupar os titulares para a, aí sim, essencial partida contra o adversário da zona da degola.
Mas, para desespero dos cofres do atual 16º colocado na tabela de classificação do certame da Terra da Rainha, a frieza de McCarthy não agradou nada à Premier League, organizadora do torneio, que aplicou ao clube uma multa de 25 mil Libras pela atitude.
A prática de "poupar" jogadores é comum em todo o mundo do futebol, inclusive aqui no Brasil. Basta que se aproximem as fases finais da Libertadores e da Copa do Brasil, por exemplo, que lá vão nossos "professores" apelar para os bons e velhos suplentes e, muitas vezes, para garotos das divisões de base.
Para a maioria absurda, a punição imposta ao Wolverhampton lança no ar a seguinte questão: até que ponto um time tem o direito de mandar a campo atletas que não os seus principais?
Não há de se discutir o direito dos treinadores em exercerem livremente suas profissões. Com 30 e poucos nomes em seus elencos, é perfeitamente natural que tais peças sejam utilizadas de forma a renderem bons resultados para a equipe. Analisando sob esse prisma, não há dúvida: McCarthy fez apenas gerenciar seus recursos humanos, de maneira a otimizar seus resultados práticos. Afinal de contas, de que adiantaria arriscar a sofrer a baixa de uma peça importante, em um confronto perdido antes mesmo da entrada em campo?
No entanto, o futebol nos dias de hoje é muito mais que um esporte. É um rentável negócio.
Se ponha agora no lugar dos diretores da Premier League. Você oferece um produto de qualidade, mas ao mesmo tempo caro. Para garantir seus lucros, precisa a cada dia fidelizar mais e mais clientes. A fim de que isto ocorra, é essencial então, que seja colocado à disposição do público aquilo que se tem de melhor no momento. Correto?
Concordo que a sanção foi injusta. Por mais que envolva altas somas de dinheiro, o futebol, em sua raiz, é somente um esporte.
Porém, não faz sentido esbravejar palavras de indignação. Em partes, compactuamos com esse processo, quando exigimos a profissionalização da gestão de clubes e competições. O que os ingleses fizeram foi apenas levar a último termo esse desejo.
Um ótimo domingo e um abraço a todos!


Por Roberto Junior (Colaborador de futebol internacional)

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