As voltas que o mundo dá.


O mundo dá voltas e, por vezes, com velocidade impressionante.
O dia 27 de fevereiro de 2010 tinha tudo para ser um dos mais felizes na vida de Ryan Shawcross, zagueiro do Stoke City. Com apenas 22 anos, a jovem revelação realizava o sonho maior de 10 entre jogadores de futebol: ser convocado para a seleção de seu país.
Mas, em outra dessas peças que o destino costuma pregar na raça humana, a referida data tomou contornos diametralmente opostos para o novo integrante do English Team.
Aos 21 minutos do segundo tempo do jogo contra o Arsenal, Shawcroos roubou a bola do dinamarquês Bendtner, ainda próximo ao meio-campo. Ao tentar sair jogando, adiantou demais a pelota e acabou dividindo fortemente a jogada com Aaron Ramsey, 19 anos, um dos meninos de Arséne Wenger. O resultado foi chocante: Ramsey, bem mais fraco fisicamente, levou a pior e saiu de campo com uma grave fratura na perna direita.
Não se discute de maneira nenhuma a imprudência de Shawcroos. Dado que a bola estava em uma zona morta do campo, não havia necessidade de entrar tão firme no lance. No entanto, é imperativo questionar a repercussão que o episódio ganhou.
A cena foi terrível mesmo. Não bastasse a magnitude da lesão por si só, a reação de extrema preocupação do restante dos jogadores em campo colaborou para realçar o sentimento de consternação geral. Diante disto, era de se esperar que as vozes de condenação ao beque do Stoke aparecessem logo.
Como dito acima, Shawcroos foi imprudente e merece ser punido esportivamente. Todavia, não houve maldade na jogada. Classificá-la como criminosa ou até mesmo questionar a convocação do garoto para a Seleção Inglesa beira à covardia.
Já tivemos, na História do futebol mundial, exemplos de atletas que fizeram jus ao rótulo de carniceiros. Em 29 de agosto de 1985, por exemplo, Márcio Nunes, à época atuando pelo Bangu, comprometeu a participação de Zico na Copa do ano seguinte após uma entrada para lá de desleal. Mais recentemente, no mesmo Arsenal, o brasileiro, naturalizado croata, Eduardo da Silva viveu drama semelhante ao de Ramsey, por conta da maldade de Martin Taylor, em partida contra o Birmingham.
Em ambos os casos, os agressores ficaram marcados para sempre como sanguinários dos gramados. Márcio Nunes inclusive chegou a reclamar, em entrevista à revista Placar, que não conseguiu apoio para o tratamento de uma contusão, por conta da jogada com o Galinho de Quintino.
Diferentemente destes, Shawcroos não merece ter a carreira manchada por tudo aquilo que ocorreu no sábado. Com certeza, a dor de ver um companheiro de trabalho estirado no chão por sua causa o fará refletir sobre eventuais atitudes futuras. O choro compulsivo ao sair expulso de campo demonstrou tal arrependimento. O rapaz é novo e ainda tem muito a aprender. Assim como todos nós. Um bom domingo e um abraço a todos!


Por Roberto Junior (Colaborador de futebol internacional)


2 comentários:

  1. A própria atitude do Shawcross ao sair de campo mostra o quanto o ato foi de imprudência e não de maldade, ao contrário do algoz do Brazuca-Croata Eduardo da Silva. Tenho certeza que ele será mais lembrado pelo choro de arrependimento do que pelo lance em si.

    Ficamos agora na torcida para que, assim como o Eduardo se recuperou, Ramsey também se recupere plenamente.

    Só acrescentando mais um na sua lista, o Juninho Paulista, no auge da sua carreira, também perdeu uma Copa, por conta da entrada de um açougueiro chamado Michel Salgado...

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