NÃO TENHA VERGONHA PALMEIRENSE, SINTA ORGULHO DE SER “PORCO”!



Meus queridos amigos da “ZONA DO AGRIÃO", amigos palestrinos e palmeirenses, há tempos que eu queria publicar um Post sobre este tema, e acho oportuno que seja agora, após um vídeo institucional do Corinthians, numa brincadeira com os “símbolos” dos rivais e ainda mais logo após o Derby deste último Domingo. Me perdoem o Post demasiado longo. Minha intenção não é pretenciosa, é de apenas publicar de uma só vez, sem interrupções ou cortes. A história do Palmeiras tem algumas peculiaridades, que a tornam diferentes dos outros clubes. Nem maior, nem menor. São apenas detalhes da história de um clube que se formou de uma colônia italiana, que lutava para se firmar em solo brasileiro.




Este é o novo nome do meu Blog pessoal. No decorrer da narrativa deste Post, vocês saberão melhor sobre a “LEGIO XX", e um pouco sobre o nosso “apelido” que muitas vezes não foi carinhoso, mas que foi adotado de forma inteligente pela torcida e que tem muito mais força e nobreza do que vocês imaginam!

BREVE DIGRESSÃO SOBRE O PORCO; OU POR QUE O CÉU ODEIA PRESUNTO

E todos aqueles demônios lhe rogaram, dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles. E Jesus logo lho permitiu. E, saindo aqueles espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar (eram quase dois mil) e afogou-se no mar.

Marcos 5:12-13



Todas as religiões têm a tendência de apresentar alguma determinação ou proibição alimentar, seja a hoje ignorada determinação católica de comer peixes às sextas-feiras, a adoração pelos hindus da vaca como animal sagrado e invulnerável, ou a recusa por alguns outros cultos orientais de consumir qualquer carne animal ou de ferir qualquer outra criatura, seja ela um rato ou uma pulga. Mas o mais antigo e resistente de todos os fetiches é o ódio e mesmo o medo do PORCO. Ele surgiu na Judéia primitiva, e durante séculos foi uma das formas – sendo a outra a circuncisão – pelas quais os judeus podiam ser identificados.




Apertados em chiqueiros, os porcos tendem a agir “porcamente” (seria diferente com os humanos?), como era de se esperar, e a ter lutas barulhentas e nojentas. Não é incomum eles comerem as próprias crias (outros animais também o fazem, como seleção natural) e mesmo o próprio excremento, enquanto sua tendência a uma vida amorosa libertina é frequentemente dolorosa para os olhos mais delicados (seria uma semelhança com os humanos?).



Porém, é preciso salientar, que foi observado que porcos deixados à própria conta, e com espaço suficiente, se mantêm bastante limpos, preparam pequenos nichos, criam famílias e interagem socialmente com outros porcos. As criaturas também apresentam sinais de inteligência, e foi calculado que a proporção crucial – entre peso do cérebro e peso do corpo – é quase tão alta nelas quanto nos golfinhos. O porco é altamente adaptável ao seu ambiente, como testemunham javalis e “porcos selvagens” em oposição aos plácidos leitões de nossa experiência mais próxima.


Mas o casco fendido se tornou sinal do diabo para os tementes, e ouso inferir que é fácil inferir o que surgiu primeiro – o diabo ou o porco. Seria meramente tedioso e estúpido especular como o CRIADOR de todas as coisas concebeu uma criatura tão versátil e então ordenou que sua maior criação mamífera a evitasse completamente ou corresse o risco de sua insatisfação eterna. Mas muitos mamíferos em outros aspectos inteligentes adotam a crença de que o céu odeia presunto. Espero que você já tenha percebido aquilo que sabemos – que esse belo animal é um de nossos primos mais próximos. Ele partilha conosco boa parte do DNA, e já foram feitos transplantes bem-sucedidos de pele, válvulas cardíacas e rins de porcos para humanos. Enquanto isso, quase tudo no porco é útil, de sua carne nutritiva e deliciosa até sua pele bronzeada como couro e seus pêlos na forma de escovas.



OS IMIGRANTES ITALIANOS NO BRASIL


“Que entendeis por uma Nação, Senhor Ministro? É a massa dos infelizes? Plantamos e ceifamos o trigo, mas nunca provamos pão branco. Cultivamos a videira, mas não bebemos o vinho. Criamos animais, mas não comemos a carne. Apesar disso, vós nos aconselhais a não abandonarmos a nossa Pátria? Mas é uma Pátria a terra onde não se consegue viver do próprio trabalho?”

Fala anônima de um italiano para o Ministro de Estado da Itália, no Século XIX.



ESCRAVO. Esta seria a melhor classificação social para definir um imigrante italiano no Brasil. A vinda de italianos para o Brasil remonta às caravelas de Pedro Álvares Cabral, cuja tripulação incluía marujos dessa nacionalidade. Centenas de italianos combateram com os portugueses e brasileiros os invasores holandeses no Brasil. Missionários católicos aportavam no País desde o século XVII. Mas a grande leva de imigrantes veio a partir de 1874, com o objetivo de substituir a mão-de-obra escrava nas lavouras brasileiras. Nessa mesma época, e com os mesmo objetivos, aportaram os suíços e os alemães no País. Atraídos para trabalharem nas colheitas de café, no ano de 1900 já viviam no estado de São Paulo, cerca de 800 mil italianos. São Paulo concentrava a maior parte das fazendas de café e, por isso, recebeu 70% de todos os imigrantes italianos que vieram para o Brasil.


A vontade de abandonar a Itália em busca de um futuro melhor pode ser entendida pela situação vivida por 90% do povo. Por volta de 1800, os latifundiários italianos “contratavam” como meeiros os trabalhadores rurais. Só que estes eram obrigados a pagar a moradia, a comida, e até os instrumentos de trabalho. Acabavam devendo dinheiro aos senhores feudais. Aliás, esse tipo de trabalho escravo ainda existe no Brasil, principalmente na região amazônica. Esses italianos vagavam pelo país, sem fixar moradia ou residência, nada tinham a perder, portanto, aceitando a aventura de trabalhar numa terra onde o frio era inexistente e onde havia a esperança de “fazer a Mérica”. É que os contratos (fuleiros) entre fazendeiros brasileiros e os trabalhadores rurais previam a possibilidade de aquisição de terras a preços módicos. Quando chegaram ao Brasil, depois de viagens estafantes em navios infestados, viram que o paraíso não era bem assim. Muitos deles foram tratados exatamente iguais aos escravos negros, sendo presos por algemas, apanhando mui to e morando em senzalas.


Ainda hoje, 90% dos italianos não sabem que houve grande imigração de seus compatriotas para o Brasil, principalmente entre os anos de 1874 a 1890. A história do país ficaria “manchada” com o fato dos imigrantes terem vindo substituir a mão-de-obra escrava. A partir do ano 2000 esse quadro está mudando, com os livros escolares de história já registrando esse fato. Quando se toma por base o número de brasileiros descendentes de italianos, o Brasil possui a maior população italiana fora da Itália. Não se sabe o número exato, visto que os censos nacionais não questionam a ancestralidade do povo brasileiro. Todavia, as estimativas oscilam entre 23 a 25 milhões os brasileiros com algum grau de ascendência italiana, representando algo em torno de 15% da população brasileira. Atualmente, vivem no estado de São Paulo, treze milhões de italianos e descendentes, ou aproximadamente 32,5% da população do estado. São Paulo é a cidade “mais italiana” do mundo, com cerca de seis milhões de italianos e descendentes, ou quase 60% da população.



ANTES ESCRAVOS, AGORA “PORCOS” E “ITALIANINHOS”

A cidade de São Paulo, conforme o censo de 1920, contava com 205.245 estrangeiros, numa população total de 579. 033, sendo que destes, 91.544 eram italianos. Este sucesso, com certeza, colaborou na adesão de uma massa de “torcedores", na sua maioria era composta de italianos e descendentes; estes acompanhavam um time de futebol formado por elementos deste grupo, fazendo esta associação se tornar uma das mais importantes do movimento associativo. Mas com o advento da Segunda Guerra, este cenário iria mudar. Durante a Segunda Guerra Mundial, devido à adesão de Benito Mussolini à Hitler, Alemanha e Itália passaram a ter seus imigrantes rejeitados em outros países.


No Brasil, os italianos só podiam sair às ruas com carteira de salvo-conduto. Todas as contas bancárias de italianos ou descendentes ficaram congeladas até o fim da guerra. Muitos não saíam de casa porque eram freqüentes os insultos. Não se sabe ao certo como, quando e onde começou, mas o fato é que a partir de 1940, se tornou comum chamarem os imigrantes italianos e seus descendentes de “PORCOS” ou “ITALIANINHOS”, de modo pejorativo e humilhante. A origem do termo pejorativo “PORCO” pode ter relação com a polenta, comida desconhecida dos brasileiros e que, para os ricos fazendeiros, “só porcos comiam". Já para os italianos, arroz e feijão é que eram para os porcos. Outra versão dá conta dos modos como os italianos comiam a polenta, com as mãos, que era repulsivo e inspirava falta de higiene.



E O QUE ERA RUIM, FICOU PIOR EM 1969...



No dia 28 de abril de 1969 ocorreu um fato lamentável que teria como efeito colateral o novo "batismo" da Sociedade Esportiva Palmeiras como "porco". Depois de empatar por 1 a 1 com o São Bento, no Estádio Humberto Reali, em Sorocaba, o Corinthians retornou à capital paulista. Do Parque São Jorge, os dois maiores destaques do time naquela competição estadual, o lateral direito Lidú (22 anos) e o ponta-esquerda Eduardo (25), resolveram comer uma pizza nos arredores do Canindé, o estádio da Portuguesa. Mas não chegariam ao restaurante: na Marginal Tietê, Lidú perdeu o controle de seu Fusca, que chocou-se violentamente contra uma das pilastras de sustentação da ponte da Vila Maria (foto acima). Os dois morreram na hora. Daí, veio a confusão que acabou por acirrar definitivamente a rivalidade entre corintianos e palmeirenses. Como o Paulistão já estava no returno e o prazo de inscrições de atletas havia se encerrado, a diretoria do alvinegro tentou, na Federação, uma autorização especial para inscrever dois novos atletas. A FPF convocou todos os clubes para uma reunião extraordinária, colocando em votação a pretensão corintiana, com a condição de que essa aprovação teria que ser unânime. Não foi: somente o presidente do Palmeiras, Delfino Facchina , votou contra. O que motivou o presidente do Corinthians, Wadih Helu , a chamar os palmeirenses de "porcos". Foi a senha para a torcida do Corinthians.


Corinthians, 1969. Em pé: Ditão, Luís Carlos, Dirceu Alves, Pedro Rodrigues, Lidú e Lula. Agachados: Paulo Borges, Tales, Benê, Rivellino e Eduardo.

Duas semanas depois do episódio os rivais se enfrentaram, e o Palmeiras venceu por 2 a 0. Nessa partida, os torcedores corintianos jogaram um porco dentro do gramado, passando a chamar a torcida palmeirense, em coro, de "Porco". A idéia teria surgido porque, alguns meses antes, na Argentina, a torcida do River Plate havia feito a mesma coisa com a galera do Boca Juniors, cuja comunidade italiana também era muito grande, e por isso, também eram chamados de porcos. O coro que até então era ofensivo durou por algum tempo. Foi somente no Paulistão de 1986 que os palmeirenses assumiram de vez o novo mascote. Numa partida contra o Santos, a torcida adversária passou a gritar "Porco". Sem se incomodar, e num ato que parecia ensaiado, os palmeirenses reverteram as ofensas e incorporam os insultos. Durante o jogo, os palestrinos inventaram uma versão para o grito dos dinamarqueses na Copa do México: "Dá-lhe Porco/ Dá-lhe Porco/ Olê-olê-olê". Desde então, o Palmeiras assumiu oficialmente sua identificação suína, após 17 anos de azucrinação corintiana, que perdura até os dias de hoje. Naquele ano em que a equipe ficou com o vice-campeonato paulista, perdendo a final para a Inter de Limeira após ter derrotado o Corinthians na semi-final, a Revista Placar publicou uma matéria de capa com o meia Jorginho Putinatti - um dos símbolos daquela geração - segurando um porco no colo, num ato que concretizava de vez a adoção ao novo mascote.



O PORCO TAMBÉM É NOBRE



O javalisus scrofa, é o animal que conhecemos popularmente por porco selvagem, um animal rústico natural do norte da África, da Europa e da Ásia, mas que hoje pode ser encontrado em muitos países ao redor do mundo. O homem já registrava através de desenhos pré-históricos a existência dos javalis. O javali ganhou maior notoriedade nos últimos tempos depois que sua carne foi considerada por estudiosos e nutricionistas como sendo muito mais saudável do que a maioria das carnes vermelhas que consumimos, com muitas vantagens especialmente sobre a carne do seu primo o porco doméstico.


Desde a Antiguidade Clássica à Idade Média, o JAVALI foi sempre considerado como espécie cinegética de prestígio, especialmente os machos adultos, que eram vistos como o paradigma de coragem e bravura. Antes do advento das armas de fogo, o javali era caçado usualmente com um tipo de lança específico para o objetivo. As referências culturais ao javali são abundantes desde pelo menos a Grécia Antiga, sendo que um dos doze trabalhos de Hércules foi caçar o “Javali de Eurimanto”. O javali foi o símbolo romano das legiões romanas XX Valeria Victrix, I Italica e X Fretensis. O animal era comum na heráldica medieval européia e foi o símbolo pessoal do Rei Ricardo III da Inglaterra.




O JAVALI DE EURIMANTO


Na ilustração acima, Hércules, o “Javali de Eurimanto” e Euristeu, em ânfora ática de figuras negras, do pintor de Andócides, e que se encontra no Museu do Louvre, em Paris.

Eurimanto era um monte, ou um deus-rio da Grécia Antiga; mesmo nome dado a um filho do deus Febo (Apolo) que foi penalizado pela deusa Afrodite (Vênus) com a perda da visão porque ele a surpreendeu quando se banhava despreocupada em uma fonte de águas mornas e cristalinas. Dessa punição injusta e arbitrária resultou, mais adiante, que Febo, para vingar-se, transformou-se em javali e matou Adônis, amante da deusa. Coincidência ou não, o fato é que na montanha de Eurimanto, situada no extremo noroeste da Arcádia, Grécia Antiga, próximo ao golfo de Corinto, havia uma javali tão feroz que destruía tudo o que encontrava pela frente. Os habitantes da região o temiam com justa razão porque a fera atacava todos os humanos com que se defrontava, quase sempre ferindo gravemente os que não conseguiam escapar de suas presas, chegando, às vezes, a matar alguns desses desafortunados. Esse bicho terrível era conhecido pelo nome de “Javali de Eurimanto”, e não havia nas redondezas quem não desejasse vê-lo morto a qualquer preço, para terminar de vez com quele sofrimento de terror e pânico que afetava a todos do lugar. Este foi o quarto, dos “Doze Trabalhos de Hércules”, mas teria que fazer um Post todo para poder terminar a história. Só posso adiantar que o javali não morre, apenas é capturado e levado até Euristeu, seu maior desafeto.



LEGIO XX VALERIA VICTRIX

LEGIO XX ROMA

LEMA: "Romana legio omnia vincit" (Legião romana a tudo vence)


Legio XX Valeria Victrix, mais tarde designada por Roma, foi uma legião romana criada por César Augusto, primeiro Imperador Romano por volta de 25 A.C. A legião tinha como símbolo o javali e a Britânia foi o seu principal teatro de operações. Conhecida por Valeria Victrix (valente e vitoriosa) , a XX legião surge nos registros romanos pela primeira vez nas campanhas de César Augusto contra os Cantábrios, uma tribo nativa da província da Hispânia - Tarraconensis Hispania. Aqui a XX legião, travou complicadas batalhas e, dificeis terrenos, conseguindo a pacificação da província por volta de 13 AC. Foi depois deslocada para a Panónia e depois do desastre da floresta de Teutonburgo (ondem foram dizimadas duas legiões), enviada como reforço para a Germânia Interior. Durante esta estadia a XX legião esteve instalada em campos localizados em Colónia e Neuss. Travaram uma corajosa e decisiva batalha, contra os germanos (superiores em número), que tinham anteriormente dizimado outras duas legiões na floresta de Teutonburgo.






RAZORBACK – “O Corte da Navalha”







Razorback é como na língua inglesa são chamados os porcos selvagens, ou javalis (sus scrofa). Em 1984, foi lançado um filme australiano, dirigido pelo diretor Russel Mulcahy, com o título de “Razorback", que no Brasil recebeu o nome de “O Corte da Navalha". Russel Mulcahy, é um diretor australiano, nascido em Melbourne, que após o sucesso de Razorback, ficou famoso por dirigir Highlander – O Guerreiro Imortal (Highlander) e Highlander II – A Ressurreição (Highlander II – The Quickening).




O filme é baseado no romance de Peter Brennan, envolvendo um gigantesco javali, que espalha o terror pelo Outback australiano, matando e devorando pessoas. Outback é a designação pela qual o deserto australiano é conhecido. A experiência de Russel Mulcahy, em trabalhos com vídeo-clips musicais (Elton John, Duran Duran, Queen), traz um resultado surrealista e surpreendente para um filme com baixíssimo orçamento, abusando das cores e luzes, no monocromático avermelhado Outback australiano.



FORZA PALESTRA!!! AQUI É PALMEIRAS!!!



A humanidade encara o porco como um bicho que está aí para nos servir. Milhões deles são sacrificados o tempo todo, seja para nos prover alimento, seja para salvar as vidas de nossos doentes. A lama dos chiqueiros esconderia um animal dotado de inteligência notável - comparável à dos golfinhos, elefantes e grandes primatas. Anos-luz à frente de cabras, vacas e ovelhas. Um degrau acima dos cachorros. É perturbador perceber que esse animal tem muitas coisas em comum conosco - e enxergar que já houve vida inteligente nos pertences de uma feijoada.


RINA

2 comentários:

  1. Rina, vc só faz isso, é historiador por um acaso, vc acha cada coisa... Parabéns

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