Uma Seleção Brasileira com pinta de time B.

De coração, respeito a opinião de todos aqueles que pensam ser o resultado o mais importante no futebol. No entanto, por mais que tente, não consigo engolir os argumentos de Dunga a cada convocação dessa Seleção Brasileira, mais parecida com o time B de algum clube,do que com a legítima representante do futebol pentacampeão do mundo.
Talvez, caso houvesse nascido na Alemanha, na Itália ou na Inglaterra, eu estivesse por aqui vibrando com os prováveis escolhidos para defender o Brasil nos gramados africanos. Afinal de contas, a frieza ártica dos números indica um trabalho, por enquanto, irretocável, marcado por vitórias e por um comprometimento ímpar para com a "amarelinha".Diante de tanto amor à camisa, torna-se vital enfatizar que não se discute nesse texto, a dignidade profissional ou até mesmo a capacidade dos preferidos da comissão técnica, visto que todos eles construíram vitoriosas carreiras.
O impossível de se aceitar - ou entender - são os critérios utilizados na hora da definição daqueles que terão a responsabilidade de conduzir rumo a África a esperanças de milhões de apaixonados.
Como o próprio nome sugere e o "pai dos burros" confirma, montar uma Seleção consiste em eleger os melhores em um determinado ramo de atividade, por exemplo. Lealdade, determinação e o tão falado comprometimento são, sim, muito importantes. Porém, na medida do possível, não podem preterir de forma mortal a qualidade técnica.
É fato que o futebol brasileiro pena nos últimos tempos com a falta de profissionalismo de seus principais nomes. Acho inclusive, que se essa fosse a clara justificativa para a execução sumária de Ronaldinho Gaúcho - de quem, queira Deus não sintamos falta -, e outros medalhões, poderia eu concordar com Dunga. Mas, ao que parece, não é essa a linha de raciocínio, já que Adriano e Robinho - que merecem a vaga - têm passaportes carimbados para a África.
Espanta também a alegação do comandante brasileiro de que "alguns jogadores não rendem tanto nos clubes, mas vão bem na Seleção." Ora amigos, estaria o blogueiro ficando doido ou tal afirmação demonstra, claramente, de que nada adianta um jogador arrebentar em seu clube até maio - mês da última convocação -, visto que, mesmo assim, não terá espaço no grupo?Tudo bem que não vivemos uma fase de fartura de gênios da bola. Sofremos com a extinção dos camisas "10". O que temos de melhor hoje, ou são veteranos, ou estrelas tentando brilhar novamente, ou promessas de craque.
Entretanto, embora enfrentemos problemas, não precisamos nos arriscar a montar uma Seleção onde um goleiro (Doni) é RESERVA em sua agremiação, vários atletas atuam em times de PEQUENO prestígio na Europa (Josué, Elano e Gilberto Silva), dois laterais são IMPROVISADOS - cadê o Marcelo? - e, aqueles que jogam por grandes equipes vivem PÉSSIMA fase - caso de Felipe Melo.
Jogar bonito está longe de ser sinônimo de conquistas. A Holanda de 74 e o Brasil de 82 que o digam. Assim como não é certo que o pragmatismo de 94 sempre sairá de campo vitorioso.
É chegada a hora do Brasil de 2010 mostrar sua face. Se Dunga, em sua mente bitolada, não quer ser um "perdedor" como foram Zico e seus companheiros, também não precisa querer "vencer" como nos Estados Unidos. Os apreciadores do bom futebol agradecem. Uma boa noite e um abraço a todos!
Por Roberto Junior ( Colaborador de futebol internacional)








































